| Sérgio Cardoso e Sônia Oiticica Tuninho e Zulmira |
Quando os personagens de "A falecida" disseram suas primeiras falas no palco do Teatro Municipal, no dia 08 de junho de 1953, a platéia levou um susto. (...) O escândalo se resumia numa frase:
- Mas como? Futebol no Municipal? Onde é que nós estamos?
De fato, a aura que cercava o Teatro Municipal não autorizava certas liberdades. As pessoas mandavam fazer roupas para frequentá-los, como se o Rio fosse Paris ou Milão. Era um palco reservado a óperas, concertos, oratórios sacros e peças sérias. E as peças anteriores de Nelson, por mais chocantes, eram sérias. Mas, "A falecida" estava cheia de gaiatices. (...)
Sem falar nas referências geográficas, que tornavam "A falecida" tão carioca quanto uma chanchada da Atlântida. (...) Cenário e tempo não eram "qualquer lugar e qualquer época", como nas outras peças, mas a Zona Norte do Rio (nominalmente, a Aldeia Campista), com uma rápida passagem pela Cinelândia. O tempo era hoje, 1953. (...)
Ele classificara "A falecida" como uma "tragédia carioca" - mas, virada pelo avesso, era uma comédia e, a partir de agora, suas peças iam ser assim. (...) Cansado de desagradar a platéia, os críticos e a censura, Nelson iria agora pelo menos agradar a si mesmo. E quanto às referências ao futebol, ele achava que já estava na hora de os personagens da literatura brasileira aprenderem, pelo menos, a "bater escanteio".
Ruy Castro, "O Anjo Pornográfico", páginas 247 e 248
ai, ai, e que neste início de século Nelson venha lindo trazendo luz para esse Rio tão cheio de treva
ResponderExcluirO Festival começa dia 1º de agosto...
ResponderExcluirImperdível!