domingo, 21 de outubro de 2012

A Falecida de Brasília

Chego ao teatro e de cara fico feliz, um bom publico chega comigo, e alegria de ator é teatro cheio. Já dentro do teatro, na poltrona B15, sento-me e espero começar, ao longe se ouve a oração final e aquele grito bom: -“Merda!”. Com luzes acesas garotos entram no palco e se movimentam, fazem sons, talvez um samba e conversam algo que não consigo escutar. Eles se conectam e me remetem a um clube, sei lá, um local onde amigos se encontram. Nesse momento a plateia ainda aquietava os ânimos, entram então, duas atrizes, ficam em sete no total e então as luzes da plateia apagam-se e começa a leitura da rubrica e os personagens começam a ganhar forma, saindo do banco de reserva e entrando no jogo, até que trocam os jogadores e assim segue o espetáculo que narra à história de Zulmira e de tantos mais.



A peça se costura como esquetes e todos os atores interpretam todos os personagens e nada se perde. As rubricas (algumas) continuam sendo lidas o que poetiza as cenas, que por vezes parecem conectadas a um realismo fantástico. O figurino colorido de Cyntia Carla, quebra o teor trágico do texto. É preciso deixar claro que o texto trata de inveja, traição, morte, desamor. Temas sérios e muito fortes, abordados com maestria pelo jovem diretor Diego de Leon, que optou por estar como ator, sem deixar de ser diretor, dessa forma quando por ventura o ritmo do espetáculo não segue o esperado, ele intervém, recomeça, faz de novo. O único problema disso é que ficamos com menos a criticar, já que as possíveis falhas cênicas são ressaltadas e corrigidas, ali, em cena.

A musicalidade do espetáculo faz toda diferença e emociona em alguns momentos. Parabenizo a todos, em especial o ator goiano André Rodrigues que por vezes parecia sofrer mutações físicas em cena. Penso que o grande diferencial do espetáculo, é que ele é despretensioso. Não posso deixar de dividir meu orgulho ao ver Tati Ramos tão matura em cena, assim como todo elenco, mas é a cena de Xiquito Maciel que faz rasgar a alma.

 O espetáculo “A Falecida” foi à primeira Tragédia Carioca de Nelson Rodrigues e esses brasilienses conseguiram ser-se cariocas, vascaínos, fluminense, humanos. Outro ponto que precisa ser ressaltado, é que após apresentação o grupo se propôs a um debate, que creio ser enriquecedor. Parabéns mais uma vez, e grata. É sempre muito bom assistir coisas boas!

Ficha Técnica:
Direção de Diego de Leon
Elenco – André Rodrigues, Diego de Leon, João Campos, Lisa Duprat, Mateus Ferrari, Tati Ramos e Xiquito Maciel.
Preparação de elenco e produção: Luana Proença.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Comédias da Vida Privada

A Vida Privada é a Intimidade... As quatro paredes que Nelson Rodrigues escancara janelas, arranca cortinas e abre portas de famílias e casamentos.

Em A Falecida e em nossa Falecida:

Zulmira e Tuninho... Apito!... Tuninho e Zulmira na cena da Vida Privada na privada, MERDA!!!!!

"Foco no centro da cena. Zulmira vai entrando com o banquinho e dirigindo-se para o foco. Todos deixam a cena. Luz sobre Zulmira, que senta-se no banco e põe a mão no queixo, numa atitude de ‘O Pensador’, de Rodin. Entra Tuninho com o jornal na cabeça e aflito. Está diante do imaginário banheiro. Torce o trinco invisível.”  (A FALECIDA, ATO I)

Comédias da vida privada de um casal... Loiros? Trágico e cômico uma semana antes...
Uma noiva de vestido azul é tão... rodriguiano: belo e provocador e encantador e eterno.

No improviso a vida privada é potência, intimidade que gera cumplicidade que gera permissão que gera invasão, exposição e respeito. Oposições, contradições, criatividade e amizade!

No improviso e no Altar dizemos SIM ao outro!


Casado? Pimba!
Casadíssimos!


terça-feira, 28 de agosto de 2012

O gênio completaria 100 anos nesse mês de agosto se entre nós ainda estivesse. Mas pensando bem, ele está. Em toda a sua obra, em sua família, em nossa saudade! É com muito orgulho e muita gratidão que vejo a minha participação e a de amigos queridos nesse centenário Rodrigueano. Em especial agradeço a Diego de León e a todos que nos assistiram ou tentaram e aos que ainda podem compartilhar a nossa leitura de uma de suas incríveis peças. Vá ao teatro e leve alguém! Salve Nelson, um menino que olhava o mundo pelo buraco da fechadura.

sábado, 25 de agosto de 2012

Depoimento pessoal do artista

Além de músico-interrompido, eu também sou um jornalista-interrompido...
E nesse 1 semestre e meio de faculdade de comunicação, eu tinha como objetivo trabalhar no Meia Hora do Rio de Janeiro.
Por que? As 25 melhores capas do Meia Hora

O Meia Hora é o jornal mais próximo do Realismo Fantástico...
Não tem essa burocratização da imaginação!
É pragmático e lúdico...
Vulgar, porém poético!
Ser jornalista do Meia Hora deve ser muito mais especial do que ser jornalista de verdade...
Não tem esse compromisso com a polidez...

E não é que esse jornaleco prestou uma homenagem ao centenário do Nelson!
Sensacional!


#forevermeiahora




sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Último fim de semana



Venha ver o que a gente fez com "A Falecida" do Nelson!
Último fim de semana... Sábado e domingo, às 18 e às 21 horas...
Espaço Mosaico (714/715 Norte)






quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Nelson Rodrigues e eu

Hoje, 23 de agosto de 2012, Nelson Falcão Rodrigues faria 100 anos...

(...)

O primeiro contato que tive com Nelson Rodrigues foi através do proibidíssimo "Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados", a minissérie exibida em 1995 na Globo, que lançou Alessandra Negrini com muito estardalhaço, mas que coroava Claudia Raia como protagonista.
Eu tinha 12 anos e o programa era exibido em um horário muito ingrato: Altas horas da noite.
Horário de criança estar na cama pra acordar cedo pra ir pro colégio...
Através das chamadas, dava pra ver nitidamente que a minissérie era um programa de adulto.
Só que não dava para assistir, só pra imaginar..
E na minha mente fértil, rolava de tudo! Peitos, pintos, bundas, palavrões, sexo sujo, assassinatos, estupros, cuspidas na cara...
Enfim, "Engraçadinha" tinha jeito de ser sacanagem disfarçada de novela e eu entendia perfeitamente porque era exibida tão tarde.
Cheguei a ver uma cena, na casa da namorada do meu pai: O personagem do Caio Junqueira mata o Luis Maçãs para não ser currado. (...) Tenso.

(...)

Um ano depois, veio o quadro "A vida como ela é...", no Fantástico!
Uma loucura... Esse sim, passava em horário plausível de ser assistido.
E era absurdamente maluco...
Sim, eu não estava tão enganado! Tinha sacanagem da boa nesse tal Nelson Rodrigues.
Lá estavam os peitinhos da Maitê Proença numa cena de sexo escancarada, em cima dum tanquinho de lavar... "A dama da lotação"!
Mas havia tantas outras coisas atraentes...
Tinha o patético personagem do Antônio Caloni que se mata por não querer jantar duas vezes (uma vez com a esposa, outra vez com a amante.); o melhor personagem da vida da Malu Mader, uma fulana feiosa que resolve dar em cima do próprio marido pra provocar inveja na vizinha.
E um episódio que me embasbacou... "O delicado"... Caio Junqueira (ele, de novo!) enforcado vestido num lindo vestido de noiva!
Tinha sacanagem, sim! Mas era mais! Era extremamente chocante, engraçado e inteligente...

(...)

Depois, só na faculdade!
Um "Perdoa-me..." aqui, um "Toda Nudez..." ali.
Vi "A Serpente", vi "A falecida"...
Exercícios com "O Beijo...", com "Vestido de noiva".
Mas nada de aprofundar... Ficava no raso... No clichê!
Nelson Rodrigues era um velhote fanfarrão com tendências freudianas!
Apenas.
Não que eu não me interessasse, mas eu estava rodeado por Shakespeare, Beckett, Oscar Wilde, Ionesco, Tchekhov... Não dava pra dar bola pra todo mundo!

(...)

Em 2008, numa temporada do Beckett no Rio, me dei de presente "O Anjo Pornográfico", biografia do Nelson escrita por Ruy Castro.
E segui o conselho de um amigo: Quando, na biografia, Nelson estiver escrevendo ou estreando uma das peças, pára e vai ler o texto...
Achei isso genial! E fiz...
Demorei muito! Muito mesmo... Dei graças a Deus quando cheguei n' "A serpente".
Mas, sinto que saí do raso...
Não sou um expert, mas Nelson não é mais um clichê!
Eu gosto de entender o que faz um clássico ser um clássico. "Vestido de noiva" é um clássico do teatro, assim como "Perdoa-me...", "Toda nudez...", "Sete Gatinhos", "Boca de Ouro".
E hoje, eu entendo a importância dele como dramaturgo.
E está sendo ótimo poder mergulhar cada vez mais.

(...)

É uma satisfação muito grande comemorar o centenário do Nelson Rodrigues apresentando "A Falecida"...
Espero que ele esteja gostando tanto quanto eu...

Diego de Leon como Deus, em "A Falecida"




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

7 dias de intensidade

[ESPAÇO RESERVADO PARA PUBLICAÇÃO DO DIÁRIO DE BORDO DA ÚLTIMA SEMANA]

(...)

Em 7 dias, "A falecida" fez 7 apresentações (lotadas) em 3 cidades diferentes...

sábado, 28 de julho de 2012

Nelson Rodrigues & Os Palavrões

"A falecida" tem um "Caralho!"
Não "A falecida" do Nelson, a minha!
Isso me causa um quase-incômodo... Nelson Rodrigues sempre foi conhecido por não usar palavrões em seus textos. Segundo Ruy Castro, os primeiros palavrões rodriguianos surgiram em "Beijo no Asfalto": "Chupão", "gilete" e "barca da Cantareira". E nenhum deles dito por Selminha, a "Zulmira" de "Beijo..." Quem falava essas podridões eram o delegado e o repórter, dois boçais.

"Mas a minha musa sereníssima, a minha Duse, vai dizer palavrões?"

Parece que depois pintou um "filho da puta" em "Toda Nudez Será Castigada", e se não me engano, tem uns "puta que pariu" por aí...
Mas enfim, Nelson, não se preocupe!
O "Caralho!" não é dito por Zulmira; além disso é pronunciado muito mais como uma expressão idiomática do que como um palavrão. E tem mais uma coisa, se na versão de "Os Sete Gatinhos" do 
Neville d'Almeida tem "Caralhinhos voadores!", por que na minh' "A falecida" não pode ter um "Caralho!"? Qualé?


sexta-feira, 27 de julho de 2012

"A Falecida" no Rio de Janeiro



Dias 15 e 16 de agosto, às 19 horas, no Teatro Dulcina, na Cinelândia...
Dia 17 de agosto, no SESI de Duque de Caxias


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ótima oportunidade para dialogar

Em São Paulo, Maria Luiza Mendonça protagoniza "A Falecida" até 07 de setembro. Lucélia Santos assume o papel de Zulmira até 02 de dezembro.


O espetáculo faz parte do projeto do SESI-SP - Nelson Rodrigues 100 Anos, que conta também com Marco Ricca interpretando "Boca de Ouro".


A direção é de Marco Antônio Braz.







sábado, 14 de julho de 2012

Música n' A Falecida

Nossa banda de rock

Mateus Ferrari

Xiquito Maciel
Luisa Duprat
André Rodrigues
Tati Ramos
Auto-retrato de um violista frustrado


Ontem, 13 de julho, dia do rock, nosso querido Falecido Mateus Ferrari nos proporcionou algumas horas de música, histórias, histórias da música. Desceu do carro com violoncelo, violino, cavaquinho, violão, pandeiro, flautas, sanfona e aquele-super-engraçado-que-todo-mundo-assopra-mas-que-é-de-cantar (xivon?). André trouxe a escaleta. Futricamos, experimentamos, tocamos, compomos... Os efeitos, os climas, os ruídos, os barulhos, os sons, as melodias... Muita coisa já foi praticado nas cenas ensaiadas hoje e ficou realmente muito bom! Foi uma noite muito boa e produtiva, nos distanciamos da peça pra nos aproximarmos de outro jeito!

(...)


Me fez lembrar de um Diego com 22 anos...
Ele teve, durante 3 meses, aulas de viola clássica com um macapaense que se mudou para a Bulgária. Desde então, tenta, anos após anos, ser sorteado para viola clássica na Escola de Música de Brasília e nunca consegue... E sempre ouve "Que bom que você está tentando viola! Ninguém quer tocar viola! Todo mundo só quer violino ou cello!"...
Acredita que seja uma recado de Deus: "Filho, você seria um péssimo músico!"
E ele, que era tão bom em aulas de "tá-tás"...






.Zulmira versus Tuninho.

A cada idade que completo e que celebro minha existência nesse mundo, percebo como nós, Zulmiras, somos completamente diferentes dos Tuninhos. Muito se fala sobre isso. As diferenças entre os sexos. Temos as feministas, os machistas, os feministas, as machistas, temos homens e mulheres, Tuninhos e Zulmiras completamente distintos. A neurose de nossa Rodrigueana em questão é ridícula, assim como todas as neuras são. Mas elas são reais. Ao menos para quem as sentem. Carregam como um peso de todo o mundo nas costas. E os Tuninhos normalmente estão alí, "normais". Pacíficos, desleixados, tranquilos. Não que eles não tenham suas neuroses. Mas elas parecem ser mais brandas, mais palpáveis, menos questionáveis, menos loucas. Tuninho "esquenta a cabeça" porque talvez o Ademir não jogue. Já Zulmira passa a viver o resto de seus dias tentando provar sua própria obsessão.  É, temos que admitir que nós Zulmiras, somos todas loucas! Agarramos nossos amores, nossas esperanças, nossas incertezas com agonia derramada em intensidade e cegueira. Pois apenas a nossa verdade é a que vale! Não venho aqui generalizar, mas é preciso compartilhar certos segredos, certos medos, os nossos anseios. Acho que grande parte da nossa falta de comunicação é justamente essa peneira com que tapamos a simplicidade de viver livremente o momento. De realmente viver um dia de cada vez. Precisamos de um equilíbrio. Nem tanto aos hormônios femininos, nem tanto a pasmaceira masculina. Somos todos alunos dessa escola da vida. E Nelson, em uma obra recheada de humor negro e de pura tragédia, nos contorna genialmente as limitações de nossos Tuninhos e de nossas Zulmiras.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

A nova onda

“Não existe nada de novo, existe tudo sendo feito de maneira nova, velhos riffs renascidos através da paixão criativa dos que vivem o tempo de agora, apaixonadamente. Nós sabemos que não existe nenhuma onda nova, new wave. Mas uma onda permanente. Mente mutante.”


Júlio Barroso, jornalista e roqueiro carioca, em fevereiro de 1981

 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Improvisos fotográficos dos improvisos















Filosofias de boteco 1

"A falecida" está sendo feita na base do improviso. Mas, tudo sob controle, tudo sob controle!
É pra ser assim mesmo! Estou apenas botando meu ponto de vista. Afinal, teatro só é teatro se o texto escrito for interpretado por alguém (?) e, claro, tem que ser ao vivo, cara a cara, tête-à-tête (?)
E por que não amar o improviso?
Quando surgem aquelas figuras icônicas em flashs de genialidades...
"É isso!" pensa-se... Descobre-se uma nova possibilidade que era impossível até então porque simplesmente não existia antes daquele instante!
Um baú de surpresas e clichês, de imaginação e jogo! Não adianta nem fotografar, amanhã vai ser completamente diferente...
Existem bolas-foras, sim! Várias... Nada pior do que improviso flopado. seguido de uma tosse no meio da platéia silenciosa...
Toca pra frente!
E existem todos os tipos de escorregões! Os "literais" e os "em sentido figurado"...
Toca pra frente!
Faz parte do que é o teatro... Tão perigoso quanto escalar uma montanha.
É isso que diferencia o teatro do cinema... É a presença viva do ator!
O instante... O tempo é agora!

(...)

Lembro que não gostava de ir ao teatro quando criança...
Sempre reclamava:

EU (fazendo voz de criança) - Prefiro mil vezes cinema! Cinema é o bicho!

Vi poucas peças na minha infância e adolescência! A presença dos atores me constrangia! Eles estavam no mesmo lugar que eu, e ao mesmo tempo! Tudo que pudesse acontecer a eles, poderiam acontecer a mim... Não, definitivamente não! Teatro não era um lugar seguro para alguém como eu.
Ver filmes era mais confortável... Era noutro lugar, noutro tempo, noutra dimensão, passado, inacessível, preso numa fita!
Nenhum contato entre o ator e a platéia... Vinha apenas a essência! Como um saquinho de chá mate na xícara de água quente...
Se os atores dos filmes saíssem da tela e aparecessem nas salas do cinema, viraria teatro e aí fodeu!
Teatro é invasivo demais! O grau de realidade é muito maior. A possibilidade de ser realidade me incomodava.

(...)

Já dizia Pélico: "E meu cagaço de cantar e ninguém reagir..."

(...)




Postado por Frederico G. Pimentel Matarazzo


domingo, 8 de julho de 2012

Tragédias... Cariocas...

Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de τράγος "bode" e ᾠδή "canto") é (assim como a Comédia) uma forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, frequentemente envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade. Aristóteles descreve a tragédia como imitação de uma ação, em uma linguagem que tem ritmo, harmonia e canto. Sua função é provocar por meio da compaixão e do temor a expurgação ou purificação dos sentimentos (catarse).

(Wikipédia)


"Um carioca é um Carioca.
Ele não pode ser nem um pernambucano, nem um mineiro, nem um paulista, nem um baiano, nem um amazonense, nem um gaúcho. Enquanto que, inversamente, qualquer uma dessas cidadanias, sem diminuição de capacidade, pode transformar-se também em carioca; pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito. Eu tenho visto muito homem do Norte, Centro e Sul do país acordar de repente carioca, porque se deixou envolver pelo clima da cidade e quando foi ver… kaput! Aí não há mais nada a fazer. Quando o sujeito dá por si está torcendo pelo Botafogo, está batendo samba em mesa de bar, está se arriscando no lotação a um deslocamento de retina em cima de Nelson Rodrigues, Antônio Maria, Rubem Braga ou Stanislaw Ponte Preta, está trabalhando em TV, está sintonizando para Elizete.."

(Vinícius de Moraes)
(...)

Tragédias Cariocas

A falecida (1953),
Perdoa-me por me traíres (1957),
Os sete gatinhos (1958),
Boca de ouro (1959),
O beijo no asfalto (1961),
Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária (1962),
Toda nudez será castigada (1965)
A serpente (1978)

(...)

 “Ele não fez apologia política em seus textos, como Oswald de Andrade, nem foi tão fortemente ligado a questões da aristocracia, como aconteceu com Jorge Andrade, tampouco desceu às camadas mais renegadas da sociedade, como no teatro de Plínio Marcos, e não lutou em defesa dos proletários, como no caso de Gianfrancesco Guarnieri. Ainda assim, ele se manteve como um grande leitor da sociedade, a seu modo, e foi um ferrenho crítico social” comenta Elen de Medeiros, doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas.



"O autor faz questão de uma tristeza intransigente"

"Como definir A Falecida? Tragédia, drama, farsa, comédia? Valeria a pena criar o gênero arbitrário de Tragédia Carioca? É, convenhamos, uma peça que se individualiza, acima de tudo, pela tristeza irredutível. Pode até fazer rir. Mas se transmite uma mensagem triste, que ninguém pode ignorar. Os personagens, os incidentes, a história, tudo parece exprimir um pessimismo surdo e vital. Dir-se-ia que o autor faz questão de uma tristeza intransigente, como se a alegria fosse uma leviandade atroz".

Nelson Rodrigues, no programa original  de "A Falecida"


domingo, 1 de julho de 2012

Ensaio fotográfico ou Pão e Circo



"É tipo foto de família, mas lembrem-se que nós somos uma banda de rock e essa é a capa do nosso disco!"

Julho de 2012 apareceu num domingo de muito sol...
Dia marcado para a sessão fotográfica d' A falecida!
Sob o olhar fotográfico de Raquel Pellicano...
Com assistência (e arte gráfica, posteriormente) de Reinaldo Dimon...
E making-of de Rafael Toscano...
O preview já vazou no Instagram

via @raquelpellicano

via @reinaldodimon

"Tuti ou Mariana Aydar?"
via @raquelpellicano


"Mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer"




segunda-feira, 25 de junho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

No sábado passado!


Dia: 16 de junho de 2012.
Dever-de-casa: Levar 5 objetos pessoais, intransferíveis e afetivos...

O fato de que cada ator do elenco é um artista diferente, com sua bagagem cheia de histórias que refletem tanto em seu trabalho...
O que ouviu há anos, o que anda lendo, como foi mudar pra capital, como foi mudar pro mato, a falta de poesia de um rolo de papel higiênico, uma gota cheia de pensamentos bons, o primeiro brinquedo, o último, um estojo duplo (?) de fita K7, as portas de entrada da música, fotos coloridas e outras nem tanto...
Uma porção de emoções misturadas à saudade... Ou seria ao saudosismo?
Onde começa a memória e onde termina a imaginação?
Quantos daqueles fatos acontecera exatamente como foram contados?
Isso não nos importa! "O todo é maior do que a simples soma das suas partes!", já dizia Aristóteles.
Ali estavam 5 micro-fragmentos de cada um daqueles artistas...
30 micro-fragmentos... Um zilhão de possibilidades!

Esses foram os ingredientes que do caldeirão do improviso do ensaio.
No nosso misto de tapete peterbrookiano e roda de macumba...
Res-sig-ni-fi-car...
Ress-ign-ifi-ca-r...
Ressignificar os objetos contando uma outra história...
Da Zulmira que é casada com o Tuninho que é vascaíno-roxo!

A descoberta de como quem vê o que de quem...
Como aquele personagem respira no corpo do outro?
Onde está a vida? Na mão que carrega o objeto ou na boca que pronuncia as palavras?
Não tem melhor ou pior... Não tem certo ou errado...
Somos todos Zulmiras casadas com Tuninhos vascaínos-roxo!


Madame Crisálida assistindo Vale-a-Pena-Ver-de-Novo

Zulmira procurando pela cartomante

"Por obséquio. Eu queria falar com Madame Crisálida."

"Olha só a ronqueira do meu pulmão. Espia!"

"Quem tem criança sabe como é! E as minhas são de arder!"

Zulmira procura na lista telefônica o número da cartomante

Zulmira hipocondríaca...

... e supersticiosa!

Fotos: Diego de León