sábado, 28 de julho de 2012

Nelson Rodrigues & Os Palavrões

"A falecida" tem um "Caralho!"
Não "A falecida" do Nelson, a minha!
Isso me causa um quase-incômodo... Nelson Rodrigues sempre foi conhecido por não usar palavrões em seus textos. Segundo Ruy Castro, os primeiros palavrões rodriguianos surgiram em "Beijo no Asfalto": "Chupão", "gilete" e "barca da Cantareira". E nenhum deles dito por Selminha, a "Zulmira" de "Beijo..." Quem falava essas podridões eram o delegado e o repórter, dois boçais.

"Mas a minha musa sereníssima, a minha Duse, vai dizer palavrões?"

Parece que depois pintou um "filho da puta" em "Toda Nudez Será Castigada", e se não me engano, tem uns "puta que pariu" por aí...
Mas enfim, Nelson, não se preocupe!
O "Caralho!" não é dito por Zulmira; além disso é pronunciado muito mais como uma expressão idiomática do que como um palavrão. E tem mais uma coisa, se na versão de "Os Sete Gatinhos" do 
Neville d'Almeida tem "Caralhinhos voadores!", por que na minh' "A falecida" não pode ter um "Caralho!"? Qualé?


sexta-feira, 27 de julho de 2012

"A Falecida" no Rio de Janeiro



Dias 15 e 16 de agosto, às 19 horas, no Teatro Dulcina, na Cinelândia...
Dia 17 de agosto, no SESI de Duque de Caxias


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ótima oportunidade para dialogar

Em São Paulo, Maria Luiza Mendonça protagoniza "A Falecida" até 07 de setembro. Lucélia Santos assume o papel de Zulmira até 02 de dezembro.


O espetáculo faz parte do projeto do SESI-SP - Nelson Rodrigues 100 Anos, que conta também com Marco Ricca interpretando "Boca de Ouro".


A direção é de Marco Antônio Braz.







sábado, 14 de julho de 2012

Música n' A Falecida

Nossa banda de rock

Mateus Ferrari

Xiquito Maciel
Luisa Duprat
André Rodrigues
Tati Ramos
Auto-retrato de um violista frustrado


Ontem, 13 de julho, dia do rock, nosso querido Falecido Mateus Ferrari nos proporcionou algumas horas de música, histórias, histórias da música. Desceu do carro com violoncelo, violino, cavaquinho, violão, pandeiro, flautas, sanfona e aquele-super-engraçado-que-todo-mundo-assopra-mas-que-é-de-cantar (xivon?). André trouxe a escaleta. Futricamos, experimentamos, tocamos, compomos... Os efeitos, os climas, os ruídos, os barulhos, os sons, as melodias... Muita coisa já foi praticado nas cenas ensaiadas hoje e ficou realmente muito bom! Foi uma noite muito boa e produtiva, nos distanciamos da peça pra nos aproximarmos de outro jeito!

(...)


Me fez lembrar de um Diego com 22 anos...
Ele teve, durante 3 meses, aulas de viola clássica com um macapaense que se mudou para a Bulgária. Desde então, tenta, anos após anos, ser sorteado para viola clássica na Escola de Música de Brasília e nunca consegue... E sempre ouve "Que bom que você está tentando viola! Ninguém quer tocar viola! Todo mundo só quer violino ou cello!"...
Acredita que seja uma recado de Deus: "Filho, você seria um péssimo músico!"
E ele, que era tão bom em aulas de "tá-tás"...






.Zulmira versus Tuninho.

A cada idade que completo e que celebro minha existência nesse mundo, percebo como nós, Zulmiras, somos completamente diferentes dos Tuninhos. Muito se fala sobre isso. As diferenças entre os sexos. Temos as feministas, os machistas, os feministas, as machistas, temos homens e mulheres, Tuninhos e Zulmiras completamente distintos. A neurose de nossa Rodrigueana em questão é ridícula, assim como todas as neuras são. Mas elas são reais. Ao menos para quem as sentem. Carregam como um peso de todo o mundo nas costas. E os Tuninhos normalmente estão alí, "normais". Pacíficos, desleixados, tranquilos. Não que eles não tenham suas neuroses. Mas elas parecem ser mais brandas, mais palpáveis, menos questionáveis, menos loucas. Tuninho "esquenta a cabeça" porque talvez o Ademir não jogue. Já Zulmira passa a viver o resto de seus dias tentando provar sua própria obsessão.  É, temos que admitir que nós Zulmiras, somos todas loucas! Agarramos nossos amores, nossas esperanças, nossas incertezas com agonia derramada em intensidade e cegueira. Pois apenas a nossa verdade é a que vale! Não venho aqui generalizar, mas é preciso compartilhar certos segredos, certos medos, os nossos anseios. Acho que grande parte da nossa falta de comunicação é justamente essa peneira com que tapamos a simplicidade de viver livremente o momento. De realmente viver um dia de cada vez. Precisamos de um equilíbrio. Nem tanto aos hormônios femininos, nem tanto a pasmaceira masculina. Somos todos alunos dessa escola da vida. E Nelson, em uma obra recheada de humor negro e de pura tragédia, nos contorna genialmente as limitações de nossos Tuninhos e de nossas Zulmiras.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

A nova onda

“Não existe nada de novo, existe tudo sendo feito de maneira nova, velhos riffs renascidos através da paixão criativa dos que vivem o tempo de agora, apaixonadamente. Nós sabemos que não existe nenhuma onda nova, new wave. Mas uma onda permanente. Mente mutante.”


Júlio Barroso, jornalista e roqueiro carioca, em fevereiro de 1981

 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Improvisos fotográficos dos improvisos















Filosofias de boteco 1

"A falecida" está sendo feita na base do improviso. Mas, tudo sob controle, tudo sob controle!
É pra ser assim mesmo! Estou apenas botando meu ponto de vista. Afinal, teatro só é teatro se o texto escrito for interpretado por alguém (?) e, claro, tem que ser ao vivo, cara a cara, tête-à-tête (?)
E por que não amar o improviso?
Quando surgem aquelas figuras icônicas em flashs de genialidades...
"É isso!" pensa-se... Descobre-se uma nova possibilidade que era impossível até então porque simplesmente não existia antes daquele instante!
Um baú de surpresas e clichês, de imaginação e jogo! Não adianta nem fotografar, amanhã vai ser completamente diferente...
Existem bolas-foras, sim! Várias... Nada pior do que improviso flopado. seguido de uma tosse no meio da platéia silenciosa...
Toca pra frente!
E existem todos os tipos de escorregões! Os "literais" e os "em sentido figurado"...
Toca pra frente!
Faz parte do que é o teatro... Tão perigoso quanto escalar uma montanha.
É isso que diferencia o teatro do cinema... É a presença viva do ator!
O instante... O tempo é agora!

(...)

Lembro que não gostava de ir ao teatro quando criança...
Sempre reclamava:

EU (fazendo voz de criança) - Prefiro mil vezes cinema! Cinema é o bicho!

Vi poucas peças na minha infância e adolescência! A presença dos atores me constrangia! Eles estavam no mesmo lugar que eu, e ao mesmo tempo! Tudo que pudesse acontecer a eles, poderiam acontecer a mim... Não, definitivamente não! Teatro não era um lugar seguro para alguém como eu.
Ver filmes era mais confortável... Era noutro lugar, noutro tempo, noutra dimensão, passado, inacessível, preso numa fita!
Nenhum contato entre o ator e a platéia... Vinha apenas a essência! Como um saquinho de chá mate na xícara de água quente...
Se os atores dos filmes saíssem da tela e aparecessem nas salas do cinema, viraria teatro e aí fodeu!
Teatro é invasivo demais! O grau de realidade é muito maior. A possibilidade de ser realidade me incomodava.

(...)

Já dizia Pélico: "E meu cagaço de cantar e ninguém reagir..."

(...)




Postado por Frederico G. Pimentel Matarazzo


domingo, 8 de julho de 2012

Tragédias... Cariocas...

Tragédia (do grego antigo τραγῳδία, composto de τράγος "bode" e ᾠδή "canto") é (assim como a Comédia) uma forma de drama, que se caracteriza pela sua seriedade e dignidade, frequentemente envolvendo um conflito entre uma personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade. Aristóteles descreve a tragédia como imitação de uma ação, em uma linguagem que tem ritmo, harmonia e canto. Sua função é provocar por meio da compaixão e do temor a expurgação ou purificação dos sentimentos (catarse).

(Wikipédia)


"Um carioca é um Carioca.
Ele não pode ser nem um pernambucano, nem um mineiro, nem um paulista, nem um baiano, nem um amazonense, nem um gaúcho. Enquanto que, inversamente, qualquer uma dessas cidadanias, sem diminuição de capacidade, pode transformar-se também em carioca; pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito. Eu tenho visto muito homem do Norte, Centro e Sul do país acordar de repente carioca, porque se deixou envolver pelo clima da cidade e quando foi ver… kaput! Aí não há mais nada a fazer. Quando o sujeito dá por si está torcendo pelo Botafogo, está batendo samba em mesa de bar, está se arriscando no lotação a um deslocamento de retina em cima de Nelson Rodrigues, Antônio Maria, Rubem Braga ou Stanislaw Ponte Preta, está trabalhando em TV, está sintonizando para Elizete.."

(Vinícius de Moraes)
(...)

Tragédias Cariocas

A falecida (1953),
Perdoa-me por me traíres (1957),
Os sete gatinhos (1958),
Boca de ouro (1959),
O beijo no asfalto (1961),
Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária (1962),
Toda nudez será castigada (1965)
A serpente (1978)

(...)

 “Ele não fez apologia política em seus textos, como Oswald de Andrade, nem foi tão fortemente ligado a questões da aristocracia, como aconteceu com Jorge Andrade, tampouco desceu às camadas mais renegadas da sociedade, como no teatro de Plínio Marcos, e não lutou em defesa dos proletários, como no caso de Gianfrancesco Guarnieri. Ainda assim, ele se manteve como um grande leitor da sociedade, a seu modo, e foi um ferrenho crítico social” comenta Elen de Medeiros, doutora em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas.



"O autor faz questão de uma tristeza intransigente"

"Como definir A Falecida? Tragédia, drama, farsa, comédia? Valeria a pena criar o gênero arbitrário de Tragédia Carioca? É, convenhamos, uma peça que se individualiza, acima de tudo, pela tristeza irredutível. Pode até fazer rir. Mas se transmite uma mensagem triste, que ninguém pode ignorar. Os personagens, os incidentes, a história, tudo parece exprimir um pessimismo surdo e vital. Dir-se-ia que o autor faz questão de uma tristeza intransigente, como se a alegria fosse uma leviandade atroz".

Nelson Rodrigues, no programa original  de "A Falecida"


domingo, 1 de julho de 2012

Ensaio fotográfico ou Pão e Circo



"É tipo foto de família, mas lembrem-se que nós somos uma banda de rock e essa é a capa do nosso disco!"

Julho de 2012 apareceu num domingo de muito sol...
Dia marcado para a sessão fotográfica d' A falecida!
Sob o olhar fotográfico de Raquel Pellicano...
Com assistência (e arte gráfica, posteriormente) de Reinaldo Dimon...
E making-of de Rafael Toscano...
O preview já vazou no Instagram

via @raquelpellicano

via @reinaldodimon

"Tuti ou Mariana Aydar?"
via @raquelpellicano


"Mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer"