terça-feira, 10 de julho de 2012

Filosofias de boteco 1

"A falecida" está sendo feita na base do improviso. Mas, tudo sob controle, tudo sob controle!
É pra ser assim mesmo! Estou apenas botando meu ponto de vista. Afinal, teatro só é teatro se o texto escrito for interpretado por alguém (?) e, claro, tem que ser ao vivo, cara a cara, tête-à-tête (?)
E por que não amar o improviso?
Quando surgem aquelas figuras icônicas em flashs de genialidades...
"É isso!" pensa-se... Descobre-se uma nova possibilidade que era impossível até então porque simplesmente não existia antes daquele instante!
Um baú de surpresas e clichês, de imaginação e jogo! Não adianta nem fotografar, amanhã vai ser completamente diferente...
Existem bolas-foras, sim! Várias... Nada pior do que improviso flopado. seguido de uma tosse no meio da platéia silenciosa...
Toca pra frente!
E existem todos os tipos de escorregões! Os "literais" e os "em sentido figurado"...
Toca pra frente!
Faz parte do que é o teatro... Tão perigoso quanto escalar uma montanha.
É isso que diferencia o teatro do cinema... É a presença viva do ator!
O instante... O tempo é agora!

(...)

Lembro que não gostava de ir ao teatro quando criança...
Sempre reclamava:

EU (fazendo voz de criança) - Prefiro mil vezes cinema! Cinema é o bicho!

Vi poucas peças na minha infância e adolescência! A presença dos atores me constrangia! Eles estavam no mesmo lugar que eu, e ao mesmo tempo! Tudo que pudesse acontecer a eles, poderiam acontecer a mim... Não, definitivamente não! Teatro não era um lugar seguro para alguém como eu.
Ver filmes era mais confortável... Era noutro lugar, noutro tempo, noutra dimensão, passado, inacessível, preso numa fita!
Nenhum contato entre o ator e a platéia... Vinha apenas a essência! Como um saquinho de chá mate na xícara de água quente...
Se os atores dos filmes saíssem da tela e aparecessem nas salas do cinema, viraria teatro e aí fodeu!
Teatro é invasivo demais! O grau de realidade é muito maior. A possibilidade de ser realidade me incomodava.

(...)

Já dizia Pélico: "E meu cagaço de cantar e ninguém reagir..."

(...)




Postado por Frederico G. Pimentel Matarazzo


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